Deu-me
a carta para que eu a lesse,
minutos
antes de sua breve despedida.
A
carta não estava endereçada para mim.
Tomou-a
de minhas mãos
-
uma carta falha: tecnologias não são cartas –
e
saltou as escadarias do ônibus, gritando
do
lado de fora:
“-
Vamos amar...”!
Me
contive vergonhosamente
no
assento desconfortável da volta para casa.
Desci
no ponto seguinte e no
reduzido
percurso de passos largos,
me
vi pendurado na janela do ônibus
gritando
em resposta:
Vamos
amar.
Vamos
a-mar.
Vamos
ao mar.
Vamos
nos desarmar.
Vamos
nos desaguar.
E
amemos.
Gris
Maio, 2014